Gigante chinesa AIMA detalha planos de expansão para o mercado brasileiro
Embora a mobilidade elétrica ainda esteja em estágio inicial no Brasil, a AIMA, uma das maiores potências globais do setor, já executa estratégias para consolidar sua marca no território nacional. Líder na China no segmento de duas rodas elétricas desde 2011, a fabricante detalhou seus planos ao portal MOTOCICLISMO durante uma visita técnica em sua sede em Tianjin.
A magnitude da operação é evidenciada pelos números de 2025: a empresa fabricou 11,56 milhões de veículos no ano. Desse montante, 10,95 milhões foram unidades de duas rodas, compostas por 8,33 milhões de bicicletas elétricas e 2,62 milhões de motocicletas elétricas. Além disso, a produção englobou mais de 607 mil triciclos movidos a eletricidade.
Com trajetória iniciada em 1999 na produção de bicicletas e expansão para motos elétricas em 2005, a AIMA possui hoje alcance global em mais de 80 países. A estrutura conta com 11 centros de produção, cerca de 9 mil colaboradores e um portfólio de mais de 900 patentes, atendendo a uma base de 100 milhões de usuários.
Processos industriais e rigor tecnológico em Tianjin
Diferente de empresas que apenas realizam a montagem, a visita à planta de Tianjin revelou que a AIMA internaliza a fabricação de componentes vitais. A companhia produz suas próprias carenagens, estruturas metálicas e chassis por meio de processos automatizados de soldagem, conformação e estampagem, com supervisão humana técnica em fases estratégicas para assegurar a qualidade.
A estrutura fabril conta ainda com laboratórios dedicados à validação de produtos. Antes da comercialização, os veículos e seus componentes são submetidos a testes rigorosos de resistência estrutural, durabilidade e exposição a cenários severos. Essa capacidade industrial massiva fundamenta a liderança da marca no competitivo mercado chinês.
Premiações internacionais e metas para o Brasil
O prestígio global da marca é reforçado por conquistas recentes em design, como o French Design Awards 2024, o NY Product Design Awards 2024 e o TITAN Awards 2024. A consultoria Frost & Sullivan também ratificou a AIMA como líder mundial em volume de vendas na categoria de duas rodas elétricas. Esses marcos impulsionam a estratégia da empresa em unir sustentabilidade, tecnologia e estética.
Produção nacional e desenvolvimento local
O anúncio mais significativo feito por Gao Hui, presidente da divisão global da AIMA, é a meta de inaugurar uma fábrica no Brasil por volta de 2027. “Nós já iniciamos os trabalhos preliminares de planejamento e preparação”, revelou o executivo. A operação deve ser gerida diretamente pela marca, prevendo parcerias com fornecedores e negócios locais.
Embora cidades como São Paulo e Manaus estejam sendo avaliadas, o local exato da unidade produtiva permanece em aberto. A unidade brasileira poderá servir também como hub exportador para outros mercados da América do Sul.
A estratégia para o país foca na tropicalização. Em vez de simplesmente importar o catálogo chinês, a AIMA desenvolverá produtos exclusivos baseados na regulamentação, infraestrutura e hábitos de uso locais. “Nós faremos pesquisas e desenvolvimento localizados e específicos voltados para o mercado brasileiro”, explicou Hui. Inicialmente, o foco será em veículos urbanos de baixa velocidade, avançando posteriormente para motos de alta e média performance.
Portfólio atual e tecnologias de conectividade
Atualmente, o consumidor brasileiro já tem acesso a diversos modelos da marca, como as scooters e ciclomotores Liberty, Kmay, Bliss, Santa Monica, Mike, X6 (primeira moto elétrica da marca no país), Kuyan Litio, Mini Kuyan, Klitio Pro e Big Sur Sport. A linha atende desde o lazer até o uso corporativo e de carga.
Mais que uma montadora, a AIMA se posiciona como empresa de tecnologia. Seus projetos em andamento incluem sistemas integrados à inteligência artificial, diagnósticos remotos, assistência técnica via app e conectividade total com smartphones. Na área de energia, a meta é otimizar baterias para garantir maior autonomia e redução no tempo de recarga.
Expansão da rede comercial até 2026
A AIMA planeja uma expansão robusta de sua rede de atendimento no Brasil. Com presença atual em diversos estados via revendedores, Gao Hui projeta alcançar entre 500 e 1.000 pontos de venda e suporte técnico nos próximos três a cinco anos. A expectativa é que o volume de lojas exclusivas cresça significativamente até o fim de 2026.
A ofensiva chinesa demonstra que o interesse no mercado brasileiro de mobilidade elétrica é prioritário, englobando desde a produção local até o suporte tecnológico de ponta.
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